Vitória na batalha pelo Cineteatro Iracema

O abandono do histórico cineteatro Iracema, fundado em 1947, serviu de mote para a realização da Primeira Mostra de Cinema de Vitória de Santo Antão, que começa hoje e vai até domingo, no Silogeu do Instituto Histórico e Geográfico. O evento traz filmes, mesas e oficinas voltados para discussões e reflexões urbanísticas, que acontecerão no Centro Acadêmico de Vitória (CAV/UFPE).
Cineteatro Iracema, em Vitória de Santo Antão - PE. / Foto de Claudia Oliveira / Divulgação
A programação começa com uma mesa redonda intitulada de Cinema e cidade: espaços de exibição e cinemas de rua, composta por André Dib, Neco Tabosa e Pedro Ferre, mediada por Walter Andrade. O propósito é debater os antigos cinemas de rua, a luta para continuar existindo e suas consequentes transformações.
Dialogar sobre o município de Vitória também é uma das prioridades do debate, levando em conta o atual estado de abandono do cineteatro Iracema (que encontra-se fechado desde 2004) e apresentando uma comparação com as soluções adotadas por outras cidades em questões semelhantes.
Uma outra ideia do evento é trazer filmes que tiveram pouquíssima circulação para serem exibidos ao lado de recentes sucessos nacionais. “A gente pegou trabalhos relevantes, como o último filme de Eduardo Coutinho e o novo de Gabriel Mascaro e abriu espaço para os curtas que não tiveram tão boa distribuição, mas sem abrir mão da qualidade e da temática proposta”, explica Walter Andrade, um dos curadores da mostra, que procurou pontos em comum entre as realizações, de modo que elas fizessem sentido dentro desse todo.
A mostra também reserva uma parte de sua programação para a educação, através das oficinas Formação de Cineclubes, ministrada por Amanda Ramos, para o público adulto, e duas outras para o público infanto-juvenil: Oficina o Olho Mágico, realizada por Darlan Galvão, e a Oficina de Introdução à Fotografia e Filmagem, por Leo Leite.
A importância deste evento, segundo os organizadores, ultrapassa seu conteúdo mais visível – a exibição dos filmes e realização das oficinas – para se tornar uma demonstração do esforço coletivo de alguns vitorienses em defender a cultura e o patrimônio da cidade. “O Iracema foi nossa inspiração nesta primeira edição, principalmente porque é um lugar que carece de preservação e atenção do poder público”, completa Walter.
Anterior Proxima Página inicial