Recife e Olinda se misturam e confundem os moradores

  No vídeo que gravou com a Rede Globo Nordeste para homenagear Recife e Olinda, que fazem aniversário neste sábado (12), o percussionista Naná Vasconcelos, morto na quarta-feira (9), conta que nasceu nas duas cidades. “Nasci no bairro de Sítio Novo, numa rua que, de um lado, era Recife, do outro, era Olinda. Aprendi desde pequeno que as duas são uma cidade só”, recorda.
Posto Professor Antônio Francisco Areias fica no limite entre as duas cidades, mas só atende quem mora na capital (Foto: Artur Ferraz/G1)Para alguns moradores, Avenida Antônio Costa Azevedo é a 'divisa' (Foto: Artur Ferraz/G1) Sítio Novo é vizinho de outro bairro: Peixinhos. E é lá que os dois municípios se misturam. Quando se entra na Feira de Peixinhos pela Avenida Presidente Kennedy, ninguém tem dúvida de que ali é Olinda. No entanto, basta andar mais um pouco pela Avenida Antônio Costa Azevedo para começar a confusão.

Sem nenhuma placa, a única orientação possível é “de boca”. Enquanto alguns moradores dizem que a via faz a “divisa” entre as cidades irmãs, outros juram que o limite é a ponte Anita, que liga a Costa Azevedo à Avenida Luís Corrêa de Brito, por cima do Rio Beberibe.

Transtornos
A dúvida, porém, gera alguns transtornos para quem vive na área. E, nesse caso, o grande problema é o posto de saúde Professor Antônio Francisco Areias, que só pode atender moradores do Recife.

“Eu moro quase do lado e tenho que ir pra outro posto mais longe da minha casa só porque eu sou de Olinda. A médica me receitou seis remédios para osteoporose, eu vi os vidros na minha frente, mas não pude pegar”, denuncia a comerciante Edileuza Maria, de 57 anos, que vende salada de frutas na Feira de Peixinhos.

Comunidade onde Maria Anunciada mora fica no Recife, mas recebe correspondência de Olinda (Foto: Artur Ferraz/G1)

O aposentado José Lopes da Silva, 75, conhece bem esse problema. “Eu moro na rua paralela ao posto. Se eu tiver uma dor, eu não posso ser atendido porque moro em Olinda. Aqui tem camarada que tem cartão do SUS do Recife e de Olinda”, afirma.

De acordo com a Secretaria de Saúde da capital pernambucana, cada família se cadastra nas unidades por área. Assim, mesmo morando mais perto da unidade do Recife, quem vive em um endereço localizado em Olinda deve procurar atendimento no posto da cidade onde foi cadastrado. Ainda segundo a secretaria, essa é uma estratégia do Ministério da Saúde para melhorar o atendimento e evitar superlotação de alguns centros médicos e o esvaziamento de outros.

Ponte Anita, que liga as avenidas Antônio Costa Azevedo e Corrêa de Brito (Foto: Artur Ferraz/G1) A comerciante Maria Anunciada da Silva, 55, é dona de uma barraca de salgados na frente do Conjunto Habitacional de Peixinhos. Ela diz que mora na capital, mas o comprovante de residência é da Cidade Patrimônio da Humanidade. “Quando eu preciso do comprovante do Recife, eu vou no posto e pego, porque a minha casa fica numa invasão e eu não recebo correspondência do Recife lá”, conta.

Se precisar pedir alguma providência do poder público, Maria Anunciada não sabe a quem iria recorrer. “O prefeito de Olinda conserta, o do Recife não vem, e por aí vai. E a gente fica nessa. Faz 25 anos que eu moro aqui e, por esse tempo, eu só sei que, de um lado da rua, é Recife, e, do outro, Olinda”, relata.

A casa de Maria Anunciada é perto da residência de Ivaldo Freitas, 50, dono de um bar na subida da ponte. Freitas também recebe correspondência de Olinda e explica que os Correios não chegam até a comunidade onde eles moram. “Toda a minha correspondência eu recebo na casa dos meus parentes em Olinda”, diz.

Em nota, a unidade dos Correios em Pernambuco informou que a comunidade não possui endereços regularizados com CEP. Ainda segundo o órgão, os domicílios devem ter numeração ordenada e oficial, condições de acesso e segurança.

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